Falando de futebol com quem esta acostumado a perder...

É o seguinte, nosso amigo “jeba saraiva” nos mandou ler um artigo de um cara que a gente gosta e respeita, mas que não é perfeito, que também se equivoca, e em raras vezes é infeliz em suas belas construções literárias; mas nem por isso deixaremos de lê-lo, tampouco desdenharemos de seus futuros comentários futebolísticos (na grande maioria das vezes muito pertinentes e sagazes). Mesmo errando ele continuará sendo o respeitado: Rica Perrone.

Mas, nesse texto acho que ele foi infeliz (minha humilde opinião): http://www.ricaperrone.com.br/2011/02/cacando-bruxas/

Não sei o que o motivou a escrever esse texto. E talvez seja até questionável a minha motivação em rebatê-lo (faço isso mais ao comentário do meu amigo saraiva, pois não ouso contrastar com um cara de importância nacional no esporte). Talvez por ser são-paulino, e meu time ser o maior vencedor brasileiro das Américas, porém também confesso que prefiro ver bons jogos de futebol a algumas apresentações bizarras do meu time, que sofre há anos de um futebol sem criatividade, sem um grande armador, competente e eficiente é verdade, mas não tão bonito como um dia já foi. Ou seja, amo o futebol mais que o São Paulo F.C. (um curintiano não sabe o que é isso, haja vista que o S.C.C.P é praticamente uma sigla religiosa).

Enfim, menosprezar a Libertadores é como tirar a beleza dos campeonatos estaduais. É como dizer que o Santos campeão paulista em cima da Ponte Preta não foi realmente campeão pois não ganhou de nenhum dos grandes da capital. Ou como sugerir que o titulo da Taça Guanabara do Flamengo sobre o Madureira não valeu porque não foi em cima de um dos grandes rivais.

Perdoe-me seu Rica, mas a Libertadores é uma competição continental e não é preciso que apenas os grandes a disputem para que ela seja vista como o mais importante campeonato do ano. Pedradas, campos ruins, pressão da torcida, cantoria castelhana por 90m, escolta, proteção para chegar ao estádio, escudos para se bater o escanteio, ceras, encenações de contusões, entradas maldosas, jogadores surpreendentemente habilidosos e desconhecidos, zagueiros bizarros, técnicos que mais parecem treinadores do colegial, catimba, tudo isso faz parte do espetáculo.

Lembro-me de um jogo do Santos contra um time uruguaio pela Libertadores, ver aquilo foi incrível, provou que nós Brasileiros não conseguimos ganhar a competição todo ano porque nos falta maturidade e não técnica, falta calma mas nunca dribles, falta cabeça e sobra pernas.

É isso que o Corinthians não tem. Falta concentração, faltou atenção, estavam motivados é verdade, mas faltou “entrega”. Infelizmente corintianos confundem raça com entrega, e são coisas parecidas, realmente, mas a entrega exige mais comprometimento. Coisa que o time não teve. É muito melhor que o Tolima, um elenco imensamente mais caro e mais qualificado. Uma estrutura boa, um craque intercontinental, uma torcida fanática. Mas, faltou cabeça.

O corintiano vai à Libertadores como crianças ao chocolate derretido, só se lambuzam, não aproveitam. É preciso calma, preparo, paciência, planejamento. Enfrentar a catimba, a altitude e a hostilidade não são para qualquer jogador. E nem para qualquer clube. É obvio que o Corinthians pode vir a ser campeão continental, não sem antes se reformular, se planejar. Esquecer o fanatismo de sua torcida e de falcatruas internas, e focar num planejamento a longo prazo.

O São Paulo ganhou a Libertadores porque teve foco. Não é o melhor time do Brasil à toa. Os campeonatos que conquistou atingem alta pontuação na FIFA porque são internacionais, por outro lado, deixou de ser uma paixão nacional. Passou anos sem revelar um craque. Quase uma década sem viajar o Brasil na charmosa e apaixonante “copa do Brasil”, a única oportunidade que o resto do país tem de ver em ação os craques mais bem pagos da atualidade.

Assistir a uma final de Libertadores é diferente. É saber que seu time superou obstáculos que times grande nunca conseguiram. Enfrentou a altitude, enfrentou distancias enormes, enfrentou a catimba, a arbitragem desfavorável, a violência dentro e fora de campo, teve a canela perseguida e o ônibus apedrejado. Mas, venceu!!!

Isso o Corinthians nunca conseguiu. Uma coisa é vencer a Ponte Preta, até hoje time pequeno, com todo o apoio da torcida, favorecimento dentro e fora de campo, pressão e ajuda financeira da diretoria, outra coisa bem diferente é vencer o Tolima na Colômbia, ou o River Plate em pleno Pacaembu, esses times não estão sujeitos ao aliciamento corrupto, nem ficam amedrontados pelo fanatismo da gaviões ou violência da pavilhão 9. Esses times enfrentam adversidade maiores do que gritos de guerras bem ensaiados, ou um marketing bem feito em torno de um quase ex-jogador acima do peso.

Um técnico desqualificado, um jogador pipoqueiro e um fenômeno fora de peso não podem transformar o Corinthians num campeão das Américas. Quando sua diretoria entender isso, vai planejar melhor. E então talvez o curintia encontro algum respeito por parte das torcidas que já conquistaram as Américas e o mundo, talvez deixe de ser um "papa-estadual" e ganhe algum campeonato que o coloque entre os grande do continente, talvez deixe de ser o "schalke" brasileiro.

De um sãopaulino para quem o ano não tem atrativos porque meu time está fora da Libertadores....(e o brasileirão também é obrigação...rsrs)

Comentários

Dhimi disse…
o pior de td isso é ver que até o vasquinho foi campeão das américas...