Quando uma onda nos invade

Cada um tem um modo diferente de enfrentar tormentas ou bonanças. Por isso, quando uma onda nos invades, vai de cada um a melhor forma para enfrentá-la.

Hoje, uma onda de “não sei” invadiu minha cabeça. Eu não sei.

Não sei o que fazer daqui para frente. Estou na ponta de entrada da bifurcação, obviamente sem muitas opções de escolha. Mas, e agora? Entra à esquerda ou à direita? Ou ainda, sair torando a grama pelo meio ou engatar a ré e voltar?

Tenho um amigo que diz nessas horas: “- bixo, to num dilema, não sei se caso ou compro uma bicicleta”; o problema é quando essa hora chega num momento de decisão decisiva, repetidamente errado para dar mais ênfase ainda, e mais e mais e mais...

Pensando um pouco enquanto escrevo essas poucas linhas, chego a conclusão de que o primeiro passo a ser tomado é seguir o conselho que ouvi ontem do Wilian, ele disse: “-brother, você primeiro precisa decidir quem você é e o que será no mundo!”, parafraseando nosso mestre Leo Boff.

Meu irmão, eu já sei o que eu sou e sei exatamente o que faço melhor, aliás, no meu caso essas duas coisas se coadunam. O que faço de melhor, faço justamente por ser quem eu sou, por ter nascido com esse propósito. E sou quem eu sou, por ser bom naquilo que faço desde menino. Duas realidades que se confundem e fazem parte da meu eu.

Agora, quando forças exógenas te impedem de seguir sendo, sempre e sem dilemas, aquilo que você é, ai então surgem os problemas, ou melhor, as dúvidas.

Ondas de “não sei” invadem nossa mente e nosso coração. Eu quero a paz, quero o fim da tempestade, não gosto e não suporta ondas, mas elas fazem parte, estou no mar, gosto de estar lá. Pensemos que o mar é a vida, e que o viver é desenvolver a habilidade de um marinheiro.

Estar no mar me dá prazer. As ondas me lembram que preciso estar atento, pois o mar é traiçoeiro, ele não é um deus benévolo ou uma mãe graciosa, é apenas o mar, o bom e velho desconhecido mar. Apaixonante, intrigante e por vezes amedrontador. Preciso navegar por ele enquanto respirar.

Cabe a mim, pobre mortal e pecador lembrar-me de Pedro, e quando a onda de “não sei”, “não posso”, “não consigo”, “não suporto”, “não quero”, “não aguento” e tantas outras assustadoras, sobrevir a mim, clamar o mesmo que Pedro clamou:

“Mas, sentindo o vento forte, teve medo; e, começando a ir para o fundo, clamou, dizendo: Senhor, salva-me”!

Salva-me Deus, e mostre-me o seu caminho

Soli Deo Gloria

Comentários

Luís disse…
Amém!