Que morra o preconceito...

(um texto pra fugir da rotina... )

Disse-lhe, pois, a mulher samaritana: Como, sendo tu judeu, me pedes de beber a mim, que sou mulher samaritana? (porque os judeus não se comunicam com os samaritanos).   Jesus respondeu, e disse-lhe: Se tu conheceras o dom de Deus, e quem é o que te diz: Dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva. (Jo  4:9-10).

Hoje eu escrevo com uma certa indignação. Talvez fruto da minha distância forçada dos poderes eclesiásticos legalmente instituídos. Ou talvez, minha indignação seja resultante do modo como vejo ser tratado o mais fraco, numa imposição de poder baseado na boa fé, que causaria espanto até em Foucault. Agora, certeza mesmo é a jactância evangélica (cristã), que me causa repulsa.

Se ainda vivêssemos no Brasil colonial, onde a escravidão era apenas mais uma mazela da nossa terra, eu seria um escravo-branco. Viveria, dormiria e comeria na senzala. Seria negociado como um objeto, um ser sem alma, um homem de quinta categoria, uma mera mercadoria. A cor da minha pele não esconde minha origem, tampouco me faz esquecer quem eu sou.

O racismo me insulta e me enoja,  pois me afronta diretamente. Talvez eu mesmo nunca seja vitima do preconceito racial, mas eu daria minha vida para ver minha mãe e minha família eternamente poupada da discriminação. E o que isso tem a ver com o evangelho?

O texto usado no começo deste “escrito”, conta uma história fantástica, um enredo milenar da mais pura e sincera auto-revelação do Messias, do Unigênito Filho de Deus, na qual Ele, o Deus Encarnado, diz a uma mulher samaritana que é o Cristo. Numa aula de bíblica de “quebra de preconceitos”.

Os judeus consideravam os samaritanos uma sub-raça imunda, um povo tão indigno quanto um cão. O samaritano era desprezado pelo judeu; para se ter uma idéia do desprezo, o judeu que precisava ir da Judéia a Galiléia, tinha de passar no meio do território samaritano, numa viajem de cerca de três dias, porém os mais ortodoxos desviavam o caminho pelo rio Jordão, e a viagem aumentava em um ou dois dias.

O fato é que Jesus quebra um preconceito milenar ao se encontrar a sós com essa mulher (cheia de maridos) samaritana. O que Ele quis dizer é que acima das diferenças raciais, existe um dom, o dom do amor. Como diz o livro preto que você insiste em ler e não entender: “A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor”. Acima da dessemelhança entre judeus e samaritanos, havia a necessidade daquela mulher ser amada. Alguém precisava demonstrar o amor divino por ela.

Não quero entrar nas causas desse ódio racial por parte dos judeus, quero apenas salientar que para Jesus não havia nenhuma herança vingativa, odiosa ou racista, nEle havia amor. Por quem quer que seja o pecador, samaritano, judeu ou brasileiro. Ele amou, e ama!

A igreja se tornou o Israel de Deus. E os fora-da-igreja se tornaram os samaritanos modernos. O povo imundo, com o qual não devo e não posso me relacionar.

Parece que a igreja de Cristo na terra não assimilou a aula de não-preconceito de Jesus; da mesma forma que os discípulos demoraram anos para entender a verdadeira mensagem de um reino espiritual, de um amor sobrenatural, que cobra atos e não gostos, de igual modo a igreja e sua corrompida liderança propagam uma falsa idéia de superioridade racial.

“ – Mas logo você?!?, um crente!”; “ – Por quê Deus? Eu sou crente, não mereço”, quer dizer então que só os “não-crentes” merecem o mau? Ou que por eu ser crente não posso errar? Em que eu sou melhor que alguém? Em que a igreja evangélica é melhor que o budismo? Em que o pastor é mais honesto que um Mulá? Não é minha fé que determina meu caráter, minha fé determina minha salvação, mas não minha prosperidade nesse mundo tenebroso.

A bíblia deixa muito claro que para Deus “somos todos iguais”. Brancos, índios, negros, gays, pastores, apóstolos, pagãos e até Maria. Diante de Deus não temos a mínima condição de sermos feitos justos por nós mesmos. Não há mérito, de forma ou espécie alguma, em nós que nos possibilite sermos feitos “filhos de Deus”. Então: porque eu sou melhor que você? você é melhor que ele? Ele é melhor que nós?

Não seja idiota. Deixe de ser jactancioso, ser evangélico de uma figa. Você não é melhor que ninguém. E também, ninguém é melhor que você. Somos todos carecedores da misericórdia de Deus. Todos precisamos da mesma fé em Cristo para nos remir. Todos somos amados da mesma foram por Deus que nos amou primeiro. Duvida? Leia sua bíblia.

Então deixe de ser soberbo. Ter o nome no rol de membros não lhe torna melhor, o torna sim, mais responsável. E só.

E como diria o pensador: “Quem morra o preconceito, e viva a união...”

Soli Deo Gloria

PS: esse link para música do Pensador: http://www.youtube.com/watch?v=MDaB8muAANc

Comentários

Luís Lemos disse…
Abaixo ao preconceito! As pessoas que falam tanto de fé deviam priorizar a religiosidade e não se gabarem enchendo a boca pra falar que na verdade eles são devotos de determinada religião. Sempre digo uma coisa, o importante não é ter religião, mas sim ser religioso! Fé em Deus Ludyney!