A tempestade me engole

Não sei se estou fazendo certo, transformando meu Blog de artigos cristãos, em um espaço de escritos que refletem meus sentimentos e lutas atuais, mas este é meu espaço, eu o criei e eu o modero. Prestarei contas a mim mesmo no tempo oportuno.

Minha tempestade me engole. Ao ouvir um trecho de uma mensagem do Rev. Caio Fábio (cara que tem se tornado um mentor pra mim, à distancia como Yancey, mas, pioneiramente, um mentor que posso ver e ouvir – ao menos de vez em quando), na qual ele dizia que Deus mantêm o controle da situação, e mesmo quando morremos, como foi o caso de Lázaro, Ele tem poder para nos trazer de volta a vida.
É notório que não agüento mais, quero mudar de vida, quero ver o fim do ano. Tudo que eu acreditava parece desmoronar na minha frente. A ruína acontece quando chego perto. Há quase um ano, quando abri mão do jornalismo para ingressar no ministério e ganhar apenas 60% do que recebia secularmente, eu estava convicto de que Deus nunca mais me tiraria de uma igreja. Eu estava apenas entrando no barco rumo a Cafarnaum.
As ondas começaram a se formar logo que entrei sozinho no barco. Meu mar da Galiléia é meu ministério pastoral. E eu sempre entendi que não seria fácil, nunca recebi meu chamado com interesse financeiro, status ou por segurança, mas por obediência à minha esperança e fé. E parece que a história se repete, enquanto os discípulos sofriam com o tormento das águas, Cristo estava afastado deles, conversando com o Pai; hoje eu me sinto apenas na expectativa de que essa conversa "dos Deus" (erro de conjugação provocado por nossa incompreensão plena da trindade, e aqui me refiro ao Pai e ao Filho), tenha fim e que um deles venha ao meu socorro.
Sei que talvez eu não devesse ter entrado sem Jesus nesse barco, mas tudo o que fiz, fiz convicto de que Ele havia ordenado. Mas então as ondas me fizeram temer, e eu tenho tremido. No começo deste ano, inicio de janeiro, tive um encontro a ser esquecido com a fúria do mar. Na Praia Brava em Florianópolis, durante a Assembléia da CBB, ao invés de estar no congresso fui pra praia, afinal pouco tinha conhecido a bela floripa.
Pois bem, foi deslumbrante ver aquele mar bravo, ondas gigantes, águas revoltosas, tudo era-me novo, e o vislumbre me fez apenas tirar a camisa e o short e me atirar naquela maravilha. E eu fui indo, indo, indo, notei e passei por um buraco na areia (dentro do mar já), e quando dei por mim, a praia estava muito, mas muito distante de mim. Se eu pensava ter andado uns 20metros apenas, a praia devia estar na minha ótica quase 4x isso.
Acostumado apenas a rio e piscina, eu comecei minhas braçadas rumo à segurança da areia, e quanto mais eu nada, mais distante ficava da praia. As pessoas eram apenas pontos escuros se movimentando a distancia. A fadiga chegou, e junto com ela o pavor e desespero. Abri minha caixa de primeiros socorros, e tirei dali uma oração angustiante e aguniada. “- Deus, eu acabei de ser ordenado, to começando meu ministério, nem batizei ninguém ainda, não tive filho, nem casei, e já vou morrer?”
Depois de procurar pé e não encontrar, quando voltei a tona vi dois homens nadando em nossa direção (não estava sozinho nessa barca furada), e meio a contra-gosto e debaixo de insultos, fomos resgatados pelos salva-vidas.
Bem, essa historinha verídica retrata o desespero que conheço, e que é passível de ser produzido pelo mar. Diferentemente de janeiro, neste final de ano, meu mar não é mais o belo litoral catarinense, mas a sórdida igreja evangélica sul-mato-grossense, receosa com pastor jovem e solteiro, mas acolhedora a líderes déspotas e orgulhosos. E são estas as ondas que me apavoram. Em meados deste tais ondas me causaram pavor, orei incessantemente até que Deus me proporcionasse uma nuance de sua vontade, um balbuciar de sua voz, ou uma silhueta de sua presença, e Ele o fez. Fiquei tempos a pensar, se a resposta dada por Deus não foi paliativa, mas Deus, o Senhor dos Exércitos, Yahwéh Nissi, nosso Ajudador, faz algo paliativo? Não sei...
Agora as ondas já tomaram meu barco, por onde ando piso na água, meus sapatos estão encharcados, minhas roupas molhadas, eu tremo de medo e frio. Meu temperamento não é como o de Pedro, não quero acompanhar o Mestre nas águas, quero apenas uma noite de sono tranqüila. Meu tormento em alto mar já dura quase três anos. Em tempos alternados creio que posso suportar as crises por todo o ministério, mas dessa vez eu temo.
Todavia! Mesmo miserável que sou, eu creio que o “fantasma” de Mt:14:26, pode até se atrasar para mim, mas chega no momento certo – na exatidão do seu kronos. E como eu mesmo já disse: Sigo confiando cegamente em Deus, pois posso até morrer afogado (o que significaria me afundar na vida ministerial), se Deus quiser Ele vai me ressuscitar, se não eu vou morar e andar em ruas de ouro na nova Jerusalém, e isso ja basta!
Pois: “Porque ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; ainda que decepcione o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja gado; Todavia eu me alegrarei no SENHOR; exultarei no Deus da minha salvação”. Hb 3:17 e 18

Soli Deo Gloria

Comentários

lindoberg disse…
Meu irmão, o seu blog é ótimo espero voltar mais vezes aqui e aproveitar seus textos com mais calma!

obrigado por visitar o meu!

Abraços